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domingo, 20 de abril de 2014

Corpo

Meu coração é objeto postiço
Bate descompassado e feio
Não tem brilho e nem feitiço
Sangra por um rombo no meio

Meus olhos vêm cegos e rotos
A frieza da multidão instável
Que anda sobre corpos mortos
Amaldiçoa quieto e amável

Meus pulmões respiram fumaça
Descobrem perfumes proibidos
Sugam pelo ar toda a desgraça
De mil amores não correspondidos

Meus ouvidos escutam segredos
Profanos gritos longínquos de dor
Revelando a natureza dos medos
Da linda moça de espoliado pudor

Meus pés pisam sem perdão algum
Domina as terras e os céus antigos
Caminham sem caminho nenhum
Se perdem e se acham em perigos

Minha pele não sente mais calor
Ela está trincando pouco a pouco
Necrosada no frio do iluso amor
Fazendo-me um feio tronco oco.

                                         M.S

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