Bate descompassado e feio
Não tem brilho e nem feitiço
Sangra por um rombo no meio
Meus olhos vêm cegos e rotos
A frieza da multidão instável
Que anda sobre corpos mortos
Amaldiçoa quieto e amável
Meus pulmões respiram fumaça
Descobrem perfumes proibidos
Sugam pelo ar toda a desgraça
De mil amores não correspondidos
Meus ouvidos escutam segredos
Profanos gritos longínquos de dor
Revelando a natureza dos medos
Da linda moça de espoliado pudor
Meus pés pisam sem perdão algum
Domina as terras e os céus antigos
Caminham sem caminho nenhum
Se perdem e se acham em perigos
Minha pele não sente mais calor
Ela está trincando pouco a pouco
Necrosada no frio do iluso amor
Fazendo-me um feio tronco oco.
M.S
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