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sábado, 19 de abril de 2014

Fumaça

Perco-me pelas ruas que conheço
Deixo os olhos escolherem o que ver
Carros, lojas e pessoas que já esqueço
Fazem o ciclo do mundo tremer

Acendo meu último fiel cigarro
Que me leva à um trago amargo
E num momento frio à meu escarro 
Vejo assim sem ver, o mundo largo

Em todo o tempo e a todo instante
Não é preciso mentir e me confortar
Fui obsoleto, superficial e distante
Que jamais causou dor ao se afastar

Agora sozinho na avenida central
Aperta-me o peito, perto do feito
Falta-me a nossa conversa banal
Falta-me o seu jeito, quase perfeito

A vida não nos afastou jamais
A minha estupidez que me fez
Da nossa vida perdida no cais
Dar adeus à sua saborosa tez 

Nesse meu último trago fatal
Fumei a fatídica realidade
Para no meu instante final
Exalar cruamente a saudade


D.C.F e M.S

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