E que tanto caminhei entre as pedras da praia
Procurando um abrigo quente escuro que caia
Quando a única sede que tinha era de chorar
E que nesse mar eu então afoguei a tristeza
Deixei-a ir pesada e profunda na correnteza
Ao céu que já fitei mil ódios e paixões
Tive de tolo minha resposta na chuva
Então vesti o medo como se fosse luva
Me deixei assim cair nos lúgubres caixões
Pois me deito no leito e aqui morrem juntos
Amor e pavor não passam de velhos defuntos
Só de lembrar-me daquele teu beijo cruel
Me toco a face paralisada e molhada
Tremo como se nunca tivesse a amada
Desespero-me ao pensar naquele papel
Sujo de tinta e lagrimas, que seria vago
Se não me trouxesse aquele segredo aziago
Nessas pedras e areias hei de sucumbir
Na praia maldita onde nosso amor morreu
Expiro minha vida com um beijo teu
Para então finalmente poder partir
Me recuso a sair de minha toca rochosa
Me refugio dessa maldita vida inexistosa
M.S
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