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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Adeus Mar!

Adeus mar
Guarde contigo minhas lembranças
Deste tempo de boas esperanças
E não deixe ninguém levar

Guarde contigo minhas lágrimas
Para que fluam em suas águas
E me ajudem a navegar

Guarde, bem guardado contigo, minha amada
Protegendo-a em cada onda
Até eu voltar
Adeus mar
D.C.F

Fixado

Meus olhos fixam em um ponto
Passado tempo que já nem conto
Ainda não consigo desviar 
Continuo mantendo o olhar

Na realidade, visualizo o interior
Não o quadro da escrava perdida
Que paira em mesma medida
Enquanto a mente vai; todo vapor

Copos e copos
Segundos e minutos
Vão passando e passando
Mas continuo... encarando

Até que a taça caia no chão
E o som rompa minha visão
Estilhaçado, fragmentado
Finalmente vejo o outro lado.
D.C.F

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Seio Mudo

Seio mudo que me salva do frio
De seu rosto liso escorre um rio
Que me faz banhar como a paz
Que é somente o jazigo que traz

Não há no mundo outra forma viva
Que me faz contorcer no tumulo
Com gosto amargo e doce da oliva
Ou tenha saboroso e rosado pômulo

Não me meto em nenhum olhar cigano
Sem querer domar todo o amor profano
Da moça de negros cabelos misteriosos
Que se põe sob os seus suaves panos

Dancei pras fogueiras e pros tambores
Cantei pras morenas e nossos amores
Dediquei o brilho da lua e das estrelas
E no final as juntei na mão feito pétalas

Minha dor no morrer não vem do falecer
Vem do sorriso cigano que vêm me mostrar
Que agora pra sempre já não posso mais ter
O amor da morena que faz seu corpo dançar

                                                                M.S

Súcubo

Que bela flor brota da terra moribunda
É tão vermelha e quente como um inferno
Tem perfume tão violento quanto pimenta
Tem sempre os olhares que a todos atenta
Que desperta nos homens o fogo mais interno
E mata sem culpa a minha dor profunda

Se abrem as pétalas revelando-a nua
Corpo branco feito a imagem de um anjo
Mas se despertam os olhos de diabo
E logo me encaram feito um lago
De pecado puro e descontente arranjo
Tolo eu que pensei que tu fosses ingênua


E me devora sem ternura a todo fogo
Pele que queima, beijo que mata o sonho
Que no coração dos anjos desperta assombro
Deixa meu sorriso e corpo feito escombro
Depois do duelo com teu seio risonho
Em teu mar de luxuria insana me afogo

                                                             M.S

O Canto Ébrio do Duende

Entre o ventre das trevas brilha teu rosto
Em brilhos estrelares minha doce lua
Sem pudor te tomo com todo gosto
Amo toda a tua beleza nua e crua

Canto minhas cantigas de duende ébrio
Despistando dessas mazelas de amor
Desconheço esse teu lindo mistério
Mas tem o cheiro igual ao da flor

Veste em meu fumo sereno o luar cálido
Enquanto toco este velho alaúde tímido
Modas dos amores mais secretos da lua
Perdidos nos beijos de amantes de rua

E quando vem a meu encontro, esconde
Pois o sol que nasce imponente visconde
Deixa o sabor de ânsia e saudade de ti
De todas as noites a lua mais bela que vi

                                                               M.S

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Hoje o dia não teve sol

Hoje o dia não teve sol
Como que nem ele acordou
Hoje o dia não tem você
E eu sinto que poderia morrer
Entre as nuvens escuras que o céu criou
Porque hoje o dia não tem você
O papel é quem chora ao receber tal mensagem
Não há no mundo uma imagem
Que enxugue minhas lágrimas
De hoje não poder te ver

                                               M.S

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A Pena Cria

Quero escrever
Como quero…
Espero... espero
e não sei o que dizer,
que seja digno de tocar um coração

sem qualquer intenção
Posto d'alma rotineira,
cheia desta asneira
de viver só de paixão,
em desilusões repetidas

Minha página segue só
Sem palavras enfeitando
ou histórias completando
Segue dando dó...
E as horas passam...

Vou esvaziando as dores 
que trago no peito
Já velho e sem jeito
com meus secos amores,
que a pena traça 
D.C.F