Menu

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Adeus, amor!


Já não quero mais colher flores coloridas no jardim
Nem bem merecem ser flores, as que guardo para mim
Vou jogá-las todas frias, vazias ao mar distante
Para me livrar do peso de mágoas na estante
Fecho os olhos do meu coração já não mais pulsante

E verifico atento mirando à todo instante
O pico que subo correndo com meu passo errante
Se não há perigo de por fascínio cair
Ao olhar para baixo e ver-te a mil pedaços desvair
Para mim do coração é terrível raiz extrair

A última lágrima que tenho faz meu corpo contrair
Cai sem medo no abismo escuro de onde vais sair
E como o mais extinto raio do meu sol poente
Vejo tudo indo embora nessa maldita corrente
De água venosa do perdido caminho afluente

Quando vem me vestir o manto escuro e doente
Me ponho quieto a olhar a distancia pungente
Entre meus velhos sonhos e o céu negro desnudo
Que me tiram o gozo de meu bendito veludo
Para lançar-me de novo no sofrimento agudo

                                             M.S

Nenhum comentário:

Postar um comentário